TURISTA

by Bernardo Barata

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about

Ao mesmo tempo que continuo o trabalho com Diabo na Cruz, e depois de tocar em vários grupos como Oioai, Feromona ou o Real Combo Lisbonense, fica aqui o meu primeiro disco em nome próprio.

Gravado na Fábrica da Pólvora, nas Flores e no iá! entre 2010 e 2015.

Arranjos, gravação, mistura e masterização - Bernardo Barata.

credits

released November 16, 2015

tags

tags: pop Lisboa

license

all rights reserved

about

Bernardo Barata Lisboa, Portugal

Músico / Produtor
Baixista em Diabo na Cruz e OIOAI

Anteriormente - feromona, Real Combo Lisbonense, O Clube.

Gravou ou trabalhou com Quais, Joana B. Vaz, Rosemary Baby, Minta & Brooktrout, Black Leg, David Pires, Chibazqui, Tiago Guilul, António Zambujo, Manel Fúria, Tv Rural, Wado, Mariana Norton, Erica Buettner, Gui Amabis, Capitão Capitão, José Castro, Márcia, Nick Nicotine's Orchestra, etc
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Track Name: Aqui Não Se Aprende Nada
AQUI NÃO SE APRENDE NADA

Anseio o que não acontece
E durmo para não acordar
Do sonho que me leva daqui
À terra onde nunca vivi.

Eu sei que amanhã vai ser diferente
Eu sei que amanhã vou estar contente

Ausente
Carente

Estar contente
Emocionalmente decadente, carente.

Aqui não se aprende nada, não
Aqui não se aprende nada
Aqui não se aprende nada, não
Aqui não se aprende nada
Aqui não se aprende nada, não
Aqui não se aprende nada
Track Name: A Fuga
A Fuga

Não queria fugir e deixar-nos com tantas frases por dizer
Mas o silêncio anda aí a ganhar terreno mais tarde ou mais cedo
As noites repetem-se e eu perco o sentido de aqui estar

Não queria fugir e deixar-me assim com tantas horas por contar
Mas a euforia anda aqui a ganhar terreno, mais tarde ou mais cedo
Os dias afundam-se e eu invento uma urgência para desligar

Que culpa tenho eu de conseguir sair
Não, não é nada contra ti
Que culpa tenho eu de conseguir sair
Não, não é nada contra ti

Andava por aí a tentar saber
Quantas vezes vão esmagar a ilusão
E encará-la de viés, quantas máscaras vão cair aos meus pés?
E quantas vezes vão dizer “Já sabias sem saber?”
Quantas desculpas vou eu forjar só para me perder.

Não queria fugir e deixar-vos com tantos erros por cometer
Mas o cada um por si tornou pequeno, o que mais tarde ou mais cedo
A noite revela ser um triste tropeço no meu andar

Não queria fugir e deixar um universo adulterado por explorar
Mas o afecto anda aqui virado do avesso, mais tarde ou mais cedo
O dia assoma e eu reconheço que este não é o meu lugar

Que culpa tenho eu de conseguir sair
Não, não é nada contra ti
Que culpa tenho eu de conseguir sair
Não, não é nada contra ti

Andava por aí a tentar saber
Quantas vezes vão esmagar a ilusão
E encará-la de viés, quantas máscaras me caíram aos pés?
E quantas vezes vão dizer “Já sabias sem saber?”
Quantas desculpas vão inventar só para me perder?
Track Name: Rapaz
Rapaz

Rapaz
Não fiques por aí a ver
O barco a passar

Rapaz
Imagina só o que um dia
Te poderá reservar

Rapaz
Cá fora a vida continua
Fugaz
É o ombro da mulher semi-nua
Que só há-de ser tua
Se tu correres atrás

Rapaz
Abraça a rapariga
Eu sei que tu és capaz

Rapaz,
Nada vai acontecer
Até saíres contigo à rua

Rapaz
Cá fora a vida continua
Fugaz
É o ombro da mulher semi nua
Que só há-de ser tua
Se tu correres atrás

Por isso rapaz
Não fiques por aí a ver
O barco a afundar
Que o mar só ajuda
Quem quer navegar
Track Name: Canção de Amor
Canção de Amor

Esta é uma canção de amor
Para quem ainda não sabe sequer o que é bom,
Nem tão pouco o que é mau
Isso pouco lhe importa

Só te posso dar o meu calor
Mas sei que não me pedes mais pois estás bem
Espero que venhas a ser
Tudo o que eu não fui

A vida nem sempre traz o que se quer
Mas deu-me a ti e não há nada melhor
que sentir-lhe assim o sabor e o ardor
contigo em redor.

Tenho o teu corpo suspenso em mim
agarras-me os dedos, deixas-te ir
e vão-se-me os medos e vão-se-me os medos.
Track Name: Cantar
Cantar

O autocarro passou sem sequer eu dar por ele
e uma senhora gorda pisou-me os pés
e a minha namorada fugiu com o sacana do Paulo
deixando a banheira entupida com os seus cabelos pretos no raio.

Na tasca o café é rasca
e no escritório as coisas não andam bem
e o meu melhor amigo em vez de dizer "coitado"
ri-se e diz "nha nha nhanha nha nha nha nha"

Como a vida seria triste, triste
Como a vida seria triste
Se eu não pudesse cantar

Os jornais estão cheios de pesadelos
e as pessoas matam-se a torto e a direito
e a polícia range os dentes os dos outros não os deles
A honestidade está a venda na candonga

E anunciam a subida dos rojões
No escritório somos carne para canhões
"Sejamos fires meus amigos! Eu farei baixar os preços!" Dizem eIes
Mas antes passem pra cá os tostões!

Como a vida seria triste, triste
Como a vida seria triste
Se eu não pudesse cantar.
Track Name: Já não dá
Já não dá

Chegou a casa e disse "Já não dá!"
Preciso de sentir que ainda sou gente
As ruas estão repletas de pessoas descontentes
A desabafar com quem vai ao lado
Que esta terra é meio anjo, meio diabo "Já não dá!"

Abriu as malas e disse "Já não dá!"
Vamos embora para um país mais quente
A mulher acena um sim com o olhar ausente
E o filho, à porta do quarto, calado
Que o destino é meio anjo, meio diabo

Sobrevoou a cidade e disse "Já não dá!"
Deixou para trás a família e os amigos
Arrumou a vida às costas num só fardo
Levou trapos, livros e retratos antigos
Que a coragem é meio anjo, meio diabo "Já não dá!"

Quando o coração aperta e "Já não dá!"
Fazem gazeta de domingo a domingo.
E prometem regressar um dia mais tarde
Levam de volta vinho e a ternura de um abraço
Que a saudade é meio anjo, meio diabo.
Track Name: Os Tempos
Os Tempos

Quando olho para fora da janela
Vejo tudo ao contrário
Pode ser, simples paranóia
Ou um erro de cenário

Porque os tempos estão a chegar ao fim
E o mundo não pode acabar assim

O pavor do apocalipse
Não faz bem, ao meu estômago
E este mundo que bebe da mesma água
Gole a gole, morre sôfrego

Porque os tempos estão a chegar ao fim
E o mundo não pode acabar assim

E quando tudo desaparecer
Não vai haver ninguém para te acudir
Track Name: Corações ao Alto
Corações ao Alto

Queria um coração bordado a vermelho-sangue sobre os corpos nus
Queria um ceder pulsante num tête-à-tete errante movido a dejá vu
Nos fios soltos de rosa e escarlate
Desfiou-se sem querer a verdade
E sobre cada pedaço de pele
Sobraram linhas e linhas cruzadas
Cruzes quebradas e restos de nada

Criei um coração fechado verde-seco de chagas na cama para um
Senti o cerco apertar na aorta e a artéria cava sem espaço nenhum
No rio interno de oxigénio e sangue
Abafado no compartimento estanque
Soou por dentro do corpo
O ritmo de um tambor errático
A errar sobre um amor apático

Vi um coração violeta-sagrado rodeado de chamas num cuidado debrum
Apaguei o fogo com água benta, expiei o pecado e expus tudo ali a nu
Ao fundo, o altar frio de mármore
Reflectiu a luz-preguiça da tarde
E o eco da porta a fechar
Latejou no dedo mindinho
Um medo leve e muito miudinho

Lembrei o coração inundado a azul oceano há milénios atrás numa ilha a sul
Sete anos de faz e desfaz, trama de ondas de mar, urdida sob escassa luz
Os olhos leram no fundo de um livro
As palavras do guerreiro perdido
E o indicador sabia ao sal
Do vai-vem de páginas sobre o peito
Das lágrimas de homem desfeito e refeito


Guardei o coração remendado branco-sujo de trapos num lugar aberto
Coração sem religião ou pranto, sem altar ou recanto, sem qualquer aperto
Guardei-o num pedaço de linho
Púrpura, verde, branco e indigo
Pulsou entre as compressas
Bem seguro por mãos delicadas
Que o uniram sem fechar nada

Sem esperar nada
Track Name: Salvar o dia
Salvar o Dia

Uma casa de papel que se desmonta
Um fato amarrotado na mala
Cacos, tijolos, areia na estrada
E homens cansados de ser máquina

A mulher, a miúda, a eterna loucura,
De diabo no corpo, saiu, sumiu, sei lá
Do nada anunciou o fim da ternura
Entre restos de vinho ao jantar familiar

Eu ouvi música nocturna durante o dia
Era uma forma de calar a melancolia
Do sol de sul, do vento de norte
Da chuva na cara, da minha má sorte
Alguém me salve a noite numa frase
Como quem escreve nas ruas da cidade

Fiz-me à estrada para tentar escapar
Mas a única coisa que queria era voltar
À voz embargada, à pele arranhada
Ou a outra morada para me abrigar

Sou rapaz, menino, eterno bandido
Tenho o diabo no corpo, vadio
E na prosa de um encontro ocasional
Revelei a minha agonia banal

Esta mulher bem parecida
Fez do encontro um passeio
Albergou-me no leito da noite para o dia
Onde a outra foi esquecida
Salvou-me o dia numa frase
Como quem escrevia nas ruas da cidade

E é mulher, miúda, eterna loucura
Diabo no corpo, ficou, sei lá
Do nada anunciou uma nova aventura
No rumor da cidade
Cidade a madrugar
Track Name: Rotina
Rotina

Ele era um sujeito qualquer
E saiu com a porta a bater
Deixou em casa a mulher
Cansada de tanto ansiar
Uma companhia para o jantar

Ele era um sujeito qualquer
Chegou sem nada dizer
E afirmou. "Não tenho nada a perder."
Pediu um copo no bar
E tragou-o sem sequer o poisar

Quando eu me for embora
Vê lá se dás que eu não estou
Se eu partir agora
Não te exaltes que eu vou
Para poder andar por aí
Eu só quero andar por aí

Ele era um sujeito qualquer
Que voltou ao amanhecer
Na cama confessou à mulher
Ter medo do medo e mais
Ter medo de a perder

Quando eu me for embora
Vê lá se dás que eu não estou
Se eu partir agora
Não te exaltes que eu vou
Para poder andar por aí
Eu só quero andar por aí
Track Name: Lobos e Meninas
Lobos e Meninas

Os lobos desceram à cidade.
Vieram a coberto da neve,
Quando o corpo da noite se deita
E penteia os cabelos rio a rio.

Solitárias, as adolescentes chamam-nos,
Para os cambios dolorosos da paixão.
Nos alpendres furtivos ,
Oferecem-lhes maçãs e veneno,
Sangue e rosas.

Hesitantes os lobos tocam-lhes
Os corpos famélicos,
Fáceis como a pele de uma rapariga-deusa.

E quando tudo termina,
Recolhem as memórias, aves desesperadas,
E regressam à floresta,
No ritmo ondulado da lua.

Ao longe, as meninas ficam,
A mão sobre o ventre,
Tão esquecidas entre a folhagem rasgada
e o frio soro da primeira neve.